domingo, 18 de março de 2012

O Violador, Minette Walters

Sinopse: "Doze horas depois de o corpo de uma jovem mulher ter sido depositado pela maré, na costa sul da Grã-Bretanha, uma criança de três anos, visivelmente traumatizada, foi encontrada a deambular sozinha pelas ruas de Poole, a vários quilómetros dali. As suspeitas da Polícia recaem num jovem actor com demasiadas incoerências nas suas declarações, um solitário obcecado por pornografia, mas também sobre alguém que em muitos casos clássicos costuma ser o culpado: o marido. Contudo este possui um álibi inatacável. Mas estaria ele realmente em Liverpool na noite em que a mulher morreu? E depois, com Walters, o óbvio nunca o é, devido à desconcertante complexidade da intriga. Considerado pela Publisher’s Weekly como um dos títulos mais notáveis de 1999, Minette Walters revela-se em O Violador ainda mais segura e subtil no aprofundamento das motivações das suas personagens, criando uma atmosfera de verdadeiro thriller psicológico."
Não conhecia esta autora. Foi uma fantástica surpresa. A intriga é aliciante e bem construída e, ao longo do livro, vão aparecendo laivos de humanidade surpreendentes, que tornam as personagens e as situações profundas, genuínas e credíveis. A autora conta a estória de uma forma cativante, introduzindo algumas situações divertidas, e inclui na narrativa vários relatórios, depoimentos e pareceres dos vários envolvidos, o que a torna bastante fluída. Assim, consegui passar bastantes horas seguidas a ler sem me aborrecer com o livro. Em conclusão, é aquele policial que é muito mais que a resolução de um mistério. Recomendo vivamente!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Anjos na Neve, James Thompson




Sinopse: "O inspetor Kari Vaara é o protagonista deste romance que nos leva ao submundo violento e obscuro da Finlândia, onde a noite polar, kaamos, é a época mais lúgubre do ano. Quando uma bela imigrante somali aparece brutalmente mutilada num campo coberto de neve, com uma injúria racista gravada no ventre, Kari Vaara sabe que é crucial manter o crime em segredo, pois este seria um escândalo num país que convive mal com a sua xenofobia. Por outro lado, as exigências da investigação começam a afetar o seu próprio casamento - Kate, a atual mulher, norte-americana, adapta-se mal à cultura e ao modo de vida finlandês. E o próprio Vaara vê-se inesperadamente confrontado com o passado: as suas suspeitas sobre o assassino da jovem somali recaem no homem por quem a sua primeira mulher o trocou...".

Este livro é um excelente policial cuja acção decorre no norte da Finlândia, na Lapónia Finlandesa, durante o kaamos, isto é, durante a época de Inverno, em que é sempre noite. Como história policial, é das mais bizarras e complicadas que já li. Mantém o suspense até ao final. Sempre que achava que já sabia quem tinha cometido o crime e por que motivo acontecia alguma coisa que baralhava os dados todos. O mesmo ia acontecendo com o inspector, que viu a sua investigação dar grandes voltas e reviravoltas.

Por outro lado, o livro apresenta um olhar muito interessante sobre a sociedade e cultura da Finlândia. As descrições da geografia da região (que não são de modo algum exaustivas) são bastante apelativas. Fiquei com imensa vontade de visitá-la naquela altura do ano, e ver a Aurora Boreal e, sobretudo, os lagos gelados e a neve que reflecte a pouca luz existente e confere à paisagem tonalidades de cinzento claro - deve ser lindo!

Quanto às personagens, achei-as bastante realistas e humanas, com destaque para o inspector e para Kate. A escrita bastante fluente, os capítulos curtos, a estória contada num crescendo de suspense, tudo me levou a uma leitura compulsiva. Sem dúvida um livro a não perder e um autor a seguir.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Aurora Boreal, Åsa Larsson

Sinopse "O corpo de Viktor Strandgård, o pregador mais famoso da Suécia, jaz mutilado numa remota igreja de Kiruna, uma cidade do Norte submersa na eterna noite polar. A irmã da vítima encontrou o cadáver, e a sombra da suspeita paira sobre ela. Desesperada, pede ajuda à sua amiga de adolescência, a advogada Rebecka Martinsson, que vive em Estocolmo e regressa à sua cidade natal disposta a descobrir quem é o culpado. No decurso da investigação conta apenas com a cumplicidade de Anna-Maria Mella, uma inteligente e peculiar polícia grávida. Em Kiruna, muita gente tem algo a ocultar e a neve não tardará a tingir-se de sangue."


Mais um policial escandinavo que não é só mais um. Apesar de deixar algumas pontas soltas a história está bem construída e, sobretudo, bem narrada. A autora fez-me sentir fascinada pelas personagens e transmitiu na perfeição o espírito da comunidade onde tudo se passa. Fascinante também é o passado das personagens. A determinada altura da narrativa senti-me tão curiosa em relação ao mistério e ao autor do crime como em relação aos acontecimentos passados da vida das personagens. Estas, na sua maioria, não são aquele tipo de personagens que admiramos, mas são marcantes por serem tão revoltantes. Estou a referir-me, sobretudo, a Sanna e aos seus pais. Revoltante, igualmente, o papel da Igreja e dos seus pastores na comunidade e as suas acções. Talvez por causa destas situações (longe de serem ultrapassadas), o tom do livro seja um pouco melancólico. Contudo, acaba com uma nota de esperança, a meu ver.

Espero que o outro livro da autora resolva alguns dos assuntos deixados em aberto neste livro, ainda por cima passando-se no mesmo local, para além de ter a mesma protagonista.

Liebster Blog



Recebi este selinho do blog da Mira. Muito obrigada!
Vou oferecê-lo aos seguintes blogs:
Quero um livro
Lydo e Opinado
Andanças Medievais
Páginas Soltas
Uma Biblioteca Aberta
Convido todos a repassá-lo a outros cinco blogs com menos de 200 seguidores.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Aquilo Que Eu Amava, Siri Hustvedt





Sinopse: "Nova Iorque, 1975. Numa galeria de arte, no Soho, Leo Hertzberg apaixona-se por um quadro, compra-o e decide procurar o seu autor, Bill Wechsler. O encontro entre eles vai dar início a uma amizade que vão manter até ao fim das suas vidas.


Pela voz de Leo, e com o universo altamente simbólico do competitivo e caprichoso meio artístico nova-iorquino como pano de fundo, é-nos desvelada uma história de paixão e tragédia que abarca vinte e cinco anos e envolve o narrador, a sua mulher, Erica, professora de Literatura, a amizade com o provocador Bill, a paixão que secretamente nutre pela musa e segunda mulher deste último, Violet, e os filhos de ambos, Matthew e Mark.


Uma intrincada constelação de ligações que permite a construção de um perturbante léxico de obsessões eróticas e insinuações de violência, à medida que a sua labiríntica história se desenrola e percorre as sinuosidades de um trajecto tão irremediável quanto humano. Ao juntar as vulgares tormentas da vida familiar, as sensibilidades acentuadas dos artistas e uma criminalidade grotesca e surpreendente, Siri Hustvedt leva a cabo uma reflexão sobre o lado negro dos laços familiares, da criatividade e do pesado fardo do amor."


É uma estória bastante densa e muito dura também, cheia de reflexões sobre a arte, a educação, os afectos, as subculturas, os distúrbios alimentares e de carácter, e sobre a vida em geral. As referências a estes temas, por vezes bastante longas, são muito interessantes e estão bem enquadradas, não tornando o livro maçudo. As personagens e as cenas são descritas de tal forma que consegui visualizá-las quase como se estivessem à minha frente. Da mesma forma, as personagens transmitiram-me os seus pensamentos e sentimentos na perfeição, em toda a sua complexidade. Este não é um livro leve nem divertido, mas a sua leitura foi bastante enriquecedora.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Pantaleão e as Visitadoras, Mario Vargas Llosa




Sinopse: "Baseado em factos verídicos, Pantaleão e as Visitadoras é um romance engenhoso, divertido e sarcástico que põe em evidência a outra face de um sistema a partir das suas próprias raízes, deixando entrever o funcionamento ambivalente de uma instituição.
Publicada em 1973 e adaptada ao cinema, Pantaleão e as Visitadoras é uma das obras mais populares e divertidas de Mario Vargas Llosa.
Pantaleão Pantoja, um oficial do exército com uma folha de serviços irrepreensível, enfrenta a missão mais arriscada da sua vida: organizar, dentro do mais absoluto sigilo militar, um serviço de prostitutas para aplacar as necessidades das Forças Armadas do Peru isoladas na selva amazónica.
Rigoroso cumpridor do dever, Pantoja muda-se para Iquitos para levar a cabo esta missão, mantendo-se afastado dos demais militares, vestindo à civil e, sobretudo, sem nada revelar à mãe e à mulher. No entanto, em pouco tempo, o que era uma missão discreta transforma-se no maior empreendimento de prostitutas do país, virando do avesso a vida de Iquitos e do próprio Pantaleão, que, como se não bastassem os problemas familiares, se verá envolvido com uma bela e insinuante «visitadora», acabando por pôr em perigo a sua tarefa."
É o meu primeiro contacto com este autor e tenho a dizer que achei o livro genial.
Tendo o senhor recebido um Prémio Nobel da Literatura estava à espera de um grande livro e não me desiludi. Vargas Llosa pega em temas a meu ver revoltantes e bárbaros (o tráfico sexual e o fanatismo religioso) e consegue, através da sua exploração, criar situações completamente irónicas e hilariantes, sem deixar de chocar (pelo menos a mim) pela brutalidade da verdade e denunciar todo um modelo social hipócrita e corrupto.
Gostei muito da escrita, apesar de no início estranhar bastante, e do tom sarcástico da narrativa. Em certas partes, dei umas boas gargalhadas.
O meu comentário não fará jus ao valor do livro, mas quero mesmo recomendá-lo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Caixa em Forma de Coração, Joe Hill

Judas Coyne, um cantor de death metal de meia-idade, que ainda mantém uma grande legião de fãs apesar de já não estar nos seus tempos áureos, é fascinado por objectos macabros, possuindo uma vasta colecção deles, que inclui desde uma corda usada num enforcamento até um livro de receitas para canibais. Quando encontra na internet um leilão insólito, em que uma mulher pretende vender o fantasma do padrasto, não resiste a adquiri-lo. A partir do momento em que recebe em sua casa a caixa em forma de coração que contém o fato do homem morto, que se presume que o fantasma acompanhará, nunca mais nada será o mesmo para Judas e para a sua namorada Marybeth.

Este livro foi uma agradável surpresa. Uns dos seus pontos fortes são as personagens, pelas quais senti verdadeira empatia. A acção começa desde muito cedo, o que para mim foi muito bom, pois não existiram aqueles primeiros momentos em que tive de forçar a leitura até acontecer alguma coisa e a história começar. A escrita do autor é muito agradável e algumas cenas são muito intensas e marcantes, não existindo, de todo, momentos aborrecidos, o que é raro num livro.
No entanto, muitos dos acontecimentos são previsíveis e forçados. Apesar de inicialmente prometer imenso, depois tudo se resolve de uma forma muito simplista e previsível. Além disso, como livro de terror que é, deveria ter tido a capacidade de me assustar e não teve. Gostei do livro, proporcionou-me alguns bons momentos de leitura, sem ser nada de extraordinário – em cinco estrelas, dou-lhe quatro.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ervamoira, Suzanne Chantal

Este é um livro para cuja leitura parti sem grandes expectativas e que me surpreendeu imenso, deixando-me totalmente rendida ao seu encanto. Conta a história da família Castro Avilez, de geração em geração, desde o início do século XIX até à década de 60 do século XX. A par das conquistas, amores e tristezas desta família, narra diversas realidades da História de Portugal, nomeadamente da cidade do Porto e do Vale do Douro, como as invasões napoleónicas, a tragédia da ponte das barcas e o clima de guerra civil entre liberais e miguelistas.

As partes de contextualização histórica e social estão muito interessantes, sobretudo aquelas em que se fala das vindimas e de toda a mecânica inerente à produção do Vinho do Porto. O fascínio com que a autora fala acerca da região do Vale do Douro, das vindimas e deste vinho é deveras contagiante. De tal modo, que foi impossível não os considerar um assunto maravilhoso, tal a paixão por eles que a autora consegue transmitir.
O romance em si também é muito bonito, recheado de personagens inesquecíveis. Em muitos romances existe uma ou outra personagem marcante, que fica mais tempo na nossa memória, mas neste livro são várias as personagens com essas características. Enfim, adorei e recomendo absolutamente.

domingo, 18 de setembro de 2011

A Rosa Rebelde, Janet Paisley

Este livro conta a história de Anne Farquharson, a Lady McIntosh, uma notável e controversa mulher que combateu pelos rebeldes escoceses pela separação da Escócia da Inglaterra, no século XVIII.

Ao princípio parecia-me um romance bastante levezinho e superficial mas mais para o fim comecei a gostar bastante. É tudo menos um romance cor-de-rosa. Para além das cenas das batalhas, que me pareceram bastante realistas, são descritos tantos horrores e tanta crueldade gratuita e de uma forma tão intensa e tão visual que me impressionaram bastante. Depois há todos aqueles aspectos acerca da cultura das Terras Altas, nomeadamente do papel da mulher na sociedade, que desconhecia completamente e que adorei conhecer. A história está muitíssimo bem construída, vai crescendo de intensidade, a própria Anne “cresce” ao longo do livro.

sábado, 27 de agosto de 2011

The Ring: O Aviso, Koji Suzuki

Sinopse: “Numa noite em Tóquio quatro jovens morrem simultaneamente, vítimas de paragem cardíaca. O jornalista Asakawa começa a investigar este estranho caso e descobre que os quatro amigos viram juntos uma cassete de vídeo, uma semana antes de morrerem. Quando Asakawa vê essa cassete de vídeo, é avisado que também ele tem uma semana de vida a não ser que consiga decifrar a sua mensagem subliminar. A partir daí, solucionar este mistério torna-se absolutamente urgente e imprescindível. The Ring - O Aviso é o livro que inspirou o filme de culto japonês Ringu, em 1998, e a versão americana de sucesso, The Ring, em 2002. Mesmo para quem já viu os dois filmes, a surpresa é garantida ao ler este livro, pois a sua adaptação ao cinema alterou as personagens e o final.”

A premissa do livro é muito interessante, mas o autor não tem uma forma de escrever muito cativante, o que torna o livro em algumas partes um pouco maçador, à excepção de algumas cenas mais fortes, e das últimas páginas, em que adquire mais ritmo e emoção. Além disso, não me identifiquei com as duas principais personagens. No entanto, é uma boa história e fiquei com vontade de ler a continuação.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cinza e Poeira, Yrsa Sigurdardóttir

Sinopse: "
Trinta anos após a mais sensacional erupção vulcânica da Islândia, nas Ilhas Westland, foi permitido aos antigos habitantes revisitarem os seus lares soterrados pela cinza e pela lava.
Markus Magnusson descobriu na cave da sua casa de então três cadáveres e várias cabeças. Quando interrogado pela polícia, declarou que, a pedido de uma amiga de infância, fora recuperar uma caixa que aí tinha escondido 30 anos atrás, pouco tempo antes da fuga da catástrofe. Mas eis que a amiga é assassinada antes de poder desvendar o conteúdo da tal caixa. Este é o ponto de partida para uma empolgante investigação policial da advogada Thóra Gudmundsdóttir, que irá encontrar muito segredos de família e fantasmas que continuam a assombrar a chamada Pompeia do Norte."
Antes de dar a minha opinião sobre o texto em si, queria salientar a deficiente revisão do texto por parte da editora. O livro está cheio de gralhas, faltando palavras em como “de” ou “que” em muitas frases e estando muitas vezes o feminino e o masculino trocados. É certo que todos os livros têm erros destes, mas este tem muitos mesmo. Até a sinopse da contracapa tem erros, afirmando que se descobriram na cave três cadáveres e várias cabeças, quando no livro se fala apenas de uma cabeça.
Parti para a leitura deste livro com expectativas muito elevadas, que não se justificaram totalmente. O livro prendeu-me desde o início, em momento nenhum me aborreceu. Deixou-me sempre a pensar como poderia aquele caso ter uma resolução e na relação entre os vários acontecimentos. O final é totalmente inesperado, embora tenha deixado de fora várias pontas soltas. Contudo, não posso dizer que tenha sido um livro brilhante. Penso que a história podia estar mais bem contextualizada, ainda por cima decorrendo num local tão original. A maioria das personagens não me provocou grandes emoções, sobretudo a investigadora, que é bastante banal. A excepção é Tinna, sobre a qual gostaria de ter sabido mais e que a autora deixa um pouco pendurada.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, José Saramago

Este livro é uma criação do que poderia ter sido a vida de Jesus Cristo, seguindo os principais acontecimentos do Evangelho bíblico, mas numa perspectiva mais humanizada, não do ponto de vista de Deus mas do ponto de vista dos Homens, e em especial de Jesus e, claro, não poupando críticas às atitudes de Deus e à religião em geral.

Permitiu-me desfrutar da fabulosa escrita de Saramago, que tanto aprecio, e que, sendo tão certeira e incisiva não deixa de ser divertida. Algumas passagens são verdadeiras pérolas literárias.
Apesar de algumas partes serem um pouco maçudas, gostei bastante deste livro, nomeadamente da recriação da vida de Jesus que Saramago tão bem conseguiu fazer, da história magnífica que criou e das personagens que construiu com base nas personagens bíblicas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vinte Cinco a Sete Vozes, Alice Vieira

Este livro consiste no relato, por parte de sete pessoas de três gerações diferentes, dos seus conhecimentos e memórias relativos ao 25 de Abril de 1974. Foca-se, essencialmente, em memórias do que era a vida antes desse dia histórico, e das alterações imediatas que a revolução imprimiu no quotidiano da população. Procura transmitir a mensagem de que é necessário preservar a memória do que foi o Estado Novo, nomeadamente transmitindo-a aos mais jovens, para que não se subvalorizem determinados padrões de vida e pensamento hoje vigentes e que uma situação semelhante não volte a ocorrer no nosso país.

Não gostei. Achei-o demasiado simples, o que até é natural visto que se destina em especial a crianças.

Vinte e Zinco, Mia Couto

A acção decorre numa pequena vila colonial de Moçambique, nos dias imediatamente antes e logo após o 25 de Abril de 1974. A notícia da revolução ocorrida em Lisboa vai representar uma pedrada no charco, que vai abanar completamente a rotina dos habitantes desta pequena vila e fazê-los trocar instantaneamente de posições. Os moçambicanos vêem as suas esperanças de um Moçambique independente e livre crescerem exponencialmente, enquanto os poucos colonos brancos se interrogam sobre o que fazer face à perspectiva de uma onda de violência ou simplesmente desaparecem de mansinho. A queda do regime da Metrópole afecta especialmente Lourenço Castro, o inspector chefe da PIDE local, e a sua família.

Esta leitura revelou-se interessante, não só pela temática da queda do Estado Novo, que é um assunto que me agrada bastante, como pela belíssima linguagem deste escritor. As várias personagens tecem uma rede de contrastes. O inspector, sério e implacável durante o dia, que tem um cavalinho de madeira de brincar no quarto e não consegue dormir sem apertar nas mãos um pedaço de pano. Também o desprezo pela cultura africana de Lourenço contrasta totalmente com a vontade da sua tia Irene de entender a religião e os costumes dos indígenas e de absorver a sua cultura. Contrastam igualmente a esperança de alguns, como o mecânico Marcelino, na independência de Moçambique, e a tenacidade que empregam nas actividades nesse sentido, com a apatia do seu tio, que considera absurdo tentar mudar o mundo pois “O céu nunca pousará na terra nem a montanha descerá ao vale”.
No que diz respeito à história em si, não me prendeu nem um bocadinho. Sem dúvida que, para mim o ponto forte deste livro é mesmo a beleza da escrita, com expressões e jogos de palavras únicos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

As Ligações Perigosas, Choderlos de Laclos

Este livro, escrito no século XVIII, pretende ser, na minha opinião, um retrato da imoralidade vivida na alta sociedade parisiense da época e um aviso às pessoas “de virtude” das consequências das “ligações perigosas”. Mais do que paixões, são-nos descritos fingimentos, quer de amizades, quer de amores, sendo desvendada toda uma teia de relações, dominadas pelo simples prazer da intriga, pela vingança e pela vaidade.

Toda a história nos é contada através de cartas trocadas entre as várias personagens. Apesar de a sua história de vida e as intrigas em que estas se envolvem serem interessantes e prometedoras, achei o livro bastante aborrecido, tanto pela falta de acontecimentos como por, durante longas partes do livro, as personagens manterem conversas repetitivas e circulares. Enfim, não gostei.

domingo, 20 de março de 2011

Uma Família Diferente, Theresa Schedel

Sinopse: "Este mais recente romance de Theresa Shedel traz-nos de novo ao convívio da família Breça de Miranda - conhecida de todos os que leram A Morte de Uma Senhora-, aos seus afectos e desafectos, às suas singularidades, às suas personagens únicas e cativantes. E é uma personagem muito em particular - o Beto, um garoto de dez anos, sobrinho-neto da tia Margarida da Quinta do Capitão, que vem pôr em alvoroço todo o universo dos Breça de Miranda, desafiando as posições e atitudes mais conservadoras dos seus, ainda incrédulos, parentes. Na verdade, naquele famigerado Verão em que tudo aconteceu, ninguém queria acreditar que o filho da Clara e do Afonso tinha desaparecido, e a frase "o Beto fugiu", repetida, entre o pânico e a perplexidade, pelos vários Breça de Miranda, iria marcar tão-somente o início de toda uma série de acontecimentos absolutamente inéditos, situados algures entre o rocambolesco e o surrealista, que viriam a abalar aquela família. Mas o grande responsável foi o Verão, e mais precisamente o mês de Agosto, verdadeira caixa de Pandora sempre pronta a libertar sabe Deus que vaga alterosa de insuspeitadas paixões e arrebatamentos… Uma Família Diferente é um romance admirável que revela um delicioso e sofisticado sentido de humor."
Gostei. É um livro com bastante sentido de humor, que nos leva a reflectir sobre a degradação que o conceito de família está a sofrer, e que se reflecte no bem-estar das crianças. Apesar de o enredo ser excessivamente inverosímil, apreciei muito o estilo de escrita da autora, que com frases irónicas e incisivas, põe a descoberto as facetas menos boas das suas personagens, quase troçando delas.

A Morte de uma Senhora, Theresa Schedel

Sinopse: "«A Morte de Uma Senhora», da mesma autora de «As Casas da Celeste», é um romance de grande qualidade, que alia à riqueza e intensidade dos quadros e das personagens retratados, o bom gosto de uma prosa extremamente elegante e requintada. É uma saga de uma família de tradições aristocráticas, dominada pela força do elemento feminino, que nos vai sendo revelada com um enorme sentido da complexidade e subtileza que envolvem a intimidade familiar, e uma sensibilidade profundamente lúcida e sagaz. Após dez longos anos de ausência, Margarida Breça de Miranda regressa ao seu país, à sua família e ao seu passado. Na Quinta do Capitão, com o seu vasto casarão branco, em plena Estremadura, Lúcia Breça de Miranda, aquela figura pequenina e frágil a quem todos chamam a Capitoa, e que sempre foi o pilar mais sólido de toda a família, aguarda a morte na grande cama de pau-santo, e salva as suas últimas energias para receber, ainda com vida, a filha há tanto esperada. O tempo, impiedoso, vai-se escoando, e há tanto para contar, revelações silenciadas, segredos guardados ao longo dos anos, expectativas, desejos, palavras inauditas que irão alterar para sempre a visão que margarida construiu do pequeno mundo dos Breça de Miranda. Uma obra notável, imbuída de sabedoria de vida, profundamente humana no sentido mais amplo da palavra."

Gostei deste livro. Apesar de não ser uma obra-prima a história é interessante e deu-me um vislumbre de um tipo de sociedade que desconhecia. É curioso "observar tão de perto" uma família que, como esta, mantém hábitos que hoje estão completamente em desuso e princípios morais anacrónicos com uma naturalidade espantosa.

A escrita é simples e fluída. O único problema é a grande multiplicidade de personagens, de que não consegui fixar os nomes, o que me baralhava um bocadinho pois muitas vezes já não sabia quem era quem, tal é a quantidade de tios, primos e sobrinhos Breças que nos são apresentados.

Meme Literário


1- Acho que não, por mais que gostasse do livro.

2- Escolhia O Crime do Padre Amaro, de Eça. Tinha de ser um livro grande e cheio de significados, prontos para serem encontrados ao longo de sucessivas leituras.

3- O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë.

4- Convido todos os que quiserem aderir.

5- http://mira46.blogspot.com/

http://amb-books-and-books.blogspot.com/




A Aia da Rainha, Barbara Kyle

A sinopse e as primeiras páginas deram-me uma ideia completamente errada do enredo do livro. Pensei que se desenrolaria, essencialmente, em volta da “grande questão” de Henrique VIII: a Rainha Catarina de Aragão, nesta versão, auxiliada pela sua aia, Honor, a tentar impedir o Rei de anular o casamento de ambos; a procurar provas e documentos que sustentassem a sua causa enquanto os homens do rei a isolavam dos seus aliados e rebatiam os seus argumentos, desesperados com a demora do processo, que se arrastava e impedia Henrique de se casar com Ana Bolena.

No entanto, isto é apenas uma pequeníssima parte do enredo. Subitamente, a história teve uma extraordinária mudança de rumo e os caminhos de Honor afastaram-se das intrigas palacianas. Esta, com a ajuda de Thornleigh, dedicou-se a ajudar hereges a sair do país, que a Igreja perseguia e matava, colocando a sua vida e a sua posição em risco.
Os movimentos e ideias protestantes têm um grande destaque ao longo do livro, o que, na minha opinião, é uma grande mais-valia para a narrativa. Apesar de algumas situações serem um pouco previsíveis, de uma maneira geral, a autora consegue manter a emoção até ao fim. Em suma, trata-se de uma mistura de amor, acção, aventura e perseguições religiosas, bastante bem conseguida.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A Rainha Vermelha, Philippa Gregory

Neste livro, Philippa Gregory conta-nos a vida de Margarida Beaufort, a última herdeira da casa real de Lencastre, uma criança extremamente devota, cujo sonho era servir Deus, entrando para um convento. Esta sua esperança cedo foi desfeita, quando aos doze anos a sua mãe a enviou para Gales para um casamento sem amor. Quando o seu filho Henrique Tudor, nasceu, Margarida não deixou de se considerar uma especial protegida de Deus, entendendo que a sua forma de o servir seria colocar o seu herdeiro no trono da Inglaterra, que considerava usurpado pela casa real de Iorque.

A partir daqui, acompanhamos todos os planos de Margarida para colocar o seu filho naquele que considera ser o seu devido lugar, o que, segundo a própria, é não só a sua maior vontade mas a vontade de Deus.
Não gostei muito porque, uma vez que decorre essencialmente no período retratado no primeiro livro desta série – A Rainha Branca – já conhecia o resultado das batalhas travadas e o desfecho da maioria das situações, apesar de neste livro as vermos sobre uma perspectiva diferente. Além disso, não senti a mínima empatia por Margarida. Posso dizer que foi o pior livro que li desta autora. Tendo adorado todos os outros, este foi uma grande desilusão.